Sexta-feira, Fevereiro 17, 2012

1462 - Cada vez mais, somos todos gregos! II

A edição de hoje dos Sinais na TSF é mesmo para ouvir com muita atenção
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Manolis Glezos - TSF



Na noite em que Atenas voltou a arder, Manolis Glezos foi barrado pela polícia quando pretendia entrar no parlamento. Ele queria desafiar os deputados gregos a que não se ajustassem a uma qualquer voz de comando, a que não vacilassem perante as notícias de que a Alemanha,a Finlândia e os Países Baixos estavam a "perder a paciência" com a Grécia. Manolis, o octogenário de bigode branco e olhos azuis disse com a dignidade de um velho resistente aquilo que Venizelos, o ministro das Finanças, entredisse mais tarde, na outra margem do desespero : "Há vários países que já não nos querem".
Esta constatação de que a Europa das contas certas se dá ao luxo de descartar uma das suas partes como se apagasse uma parcela errada, esta ideia de que o controlo da dívida justifica o abandono de valores estruturantes, fundadores, da própria ideia de Europa, é já explicitada com o despudor e a desfaçatez dos cobradores de fraque.
Karolos Papoulias, o presidente grego (tal como Manolis Glezos, um velho resistente) não se sentiu diminuido pelo poder meramente simbólico do cargo. Ontem, veio lembrar-nos que os europeus lutaram juntos no passado. E fez a pergunta que dança como um nó na garganta dos europeus de cabeça levantada: "Quem é o senhor Schauble para insultar a Grécia?".
Ora desse passado em que os europeus lutaram juntos há, ainda, mesmo que aparentemente residuais, contas por saldar. Foi o que Manolis Glezos gritou á porta do parlamento na noite em que Atenas voltou a arder. Ele lembrou que Hitler obrigara o Tesouro grego a emprestar dinheiro ao III Reich. 100 milhões de euros, às contas de hoje. Berlim pagou dívidas semelhantes a outros países, depois da guerra. Mas nunca saldou a dívida que tem perante a Grécia, agora "descartável". Quem é o senhor Schauble para insultar a Grécia, pergunta, fazendo contas, lembrando créditos antigos, o velho resistente Manolis Glezos. Quem é este homem? É aquele que num certo 30 de Maio de 1941, retirou a bandeira nazi da Acrópole.
De Gaulle chamou-lhe "o primeiro partisan da Europa".
Há tempos, juntamente com Mikis Teodorakis, fundou um movimento contra o memorandum. Escorados na memória e nos valores que fundaram a Europa, Manolis Glezos e Mikis Teodorakis, ambos antigos resistentes e antigos deputados, estiveram à porta do parlamento, na noite em que Atenas voltou a arder. Diante da força policial que os barrou, eles repetiram Zorba, o Grego, a cena em que Zorba abre os braços e grita para o companheiro: "Alguma vez viste um desastre mais esplêndido?"
Zorba, o que dança na praia de Stravos, levado pela música de Teodorakis. Chamavam-lhe "Epidemia". Porque espalhava o caos.

Quarta-feira, Fevereiro 15, 2012

1460 - Notas soltas

1 - Visita do José Fanha a uma escola

Por ocasião da visita do José Fanha a uma escola, reabri um dos meus cadernos com alguns textos de que mais gosto e que, de alguns, também aqui vou dando conta, de modo a encontrar o texto: "eu sou português aqui" para ele me autografar. Confesso que esse poema me marcou profundamente e que me lembro, como se fosse hoje, a primeira vez que o ouvi, há já 35 anos, no programa: "A visita da cornélia"
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Revi, em minutos, alguns dos meus últimos anos de vida. Pareceram-me duros... mas que se pode fazer? há opções que se tomam e que se têm que levar adiante. Poderia tudo ser mais facilitado? sim! mas... that's life!
Há que seguir em frente e aprender, aprender sempre!

Vivemos, aprendemos, sobrevivemos, temos a nossa idiossincrasia, seguimos... que quiser fazer caminho connosco é muito bem vindo quem não quiser, paciência!  
Há gente a quem apertamos a mão e nos perfuma as nossas mãos, há outros...  

nota 1 - de qualquer forma, espero que os próximos 5/6 anos sejam mais risonhos. também depende de mim
nota 2 - Ah, os miúdos adoraram e prepararam trabalhos giríssimos


2 - o meu jardim

Está mais bonito de dia para dia. O meu narciso de estimação, sempre fiel, já acordou para a sua frágil primavera de 15 dias. A poda das árvores de fruto já está quase. já só falta  cerejeira e a romãzeira. Ficará para sábado.

3 -  Por toda a minha vida (Exaltação ao amor) - Tom Jobim






Ah, meu bem amado
Quero fazer de um juramento uma canção
Eu prometo, por toda a minha vida
Ser somente tua e amar-te como nunca
Ninguém jamais amou, ninguém

Ah, meu bem amado
Estrela pura aparecida
Eu te amo e te proclamo
O meu amor
O meu amor
Maior que tudo quanto existe
Oh, meu amor

Terça-feira, Fevereiro 14, 2012

1459 - Sem dar por isso...

Sem dar por isso estamos quase, quase na Primavera.
A Amendoeira que substituiu o damasqueiro que se partiu há dois anos durante uma ventania, está quase em flor!
Felizmente que a natureza mantém os ciclos e nos chama a atenção para o tempo que perdemos desnecessariamente e para o tempo que deveríamos gastar em usufruir o que ela própria nos dá.

Talvez fosse mesmo bom "perder" cinco minutinhos por dia para respirar...













Se Depois de Eu Morrer, Quiserem Escrever a Minha Biografia  

Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples
Tem só duas datas — a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra cousa todos os dias são meus.

Sou fácil de definir.
Vi como um danado.
Amei as cousas sem sentimentalidade nenhuma.
Nunca tive um desejo que não pudesse realizar, porque nunca ceguei.
Mesmo ouvir nunca foi para mim senão um acompanhamento de ver.
Compreendi que as cousas são reais e todas diferentes umas das outras;
Compreendi isto com os olhos, nunca com o pensamento.
Compreender isto com o pensamento seria achá-las todas iguais.

Um dia deu-me o sono como a qualquer criança.
Fechei os olhos e dormi.
Além disso, fui o único poeta da Natureza.

Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"

Sábado, Fevereiro 11, 2012

1458 - até onde pode um povo apertar o cinto?

Por acaso já tinha pensado neste assunto a propósito de um filme que vi esta semana que era relacionado com o holocausto. O pessoal não acreditava, o pessoal achava que "eles" não iriam mais longe e que ficaria por ali, o pessoal achava que só acontecia aos "outros", o pessoal achava que era apenas uma "fase".

Hoje são os gregos as maiores vítimas! Este vídeo dá muito que pensar pois fornece-nos alguns dados sobre a dimensão e consequências do novo acordo na Grécia (este já não é para pôr o país a crescer. É apenas para pagar as dívidas...)

Sexta-feira, Fevereiro 10, 2012

1457 - É tão bom ver os meninos a aprender...

Ontem tive um dia intenso com visitas a algumas bibliotecas. Cheguei ao fim muito cansado mas adorei o que vi. A biblioteca da "ciência" com a incubadora dos pintos, estes acabados de nascer, os livros, o entusiasmo dos meninos ao ver os pintainhos com horas de vida, ...

(a baía do seixal ao entardecer que é tão mágica naqueles 5/10 minutos de reflexos de ouro no rio e nas janelas de guilhotina...)







Quinta-feira, Fevereiro 09, 2012

1456 - Ainda a propósito dos feriados

João Delgado
Luís Filipe Menezes falou hoje, na Antena 1, em defesa da supressão da folga carnavalesca, aduzindo os habituais argumentos “austeritários”, mas juntando-lhe, entusiasmado com a sua própria verve, uma nota arrebatadora: que os funcionários públicos, suprema malandragem, nem sequer aproveitam a terça-feira gorda para assistir a algum corso, dedicando-se antes a actividades diversas, não directamente relacionadas com o entrudo.
A fazer escola, a teoria “menesiana” teria interessantes efeitos, começando desde logo com o primeiro de janeiro, que só deveria ser feriado para quem provasse um estado de alcoolemia igual ou superior a 0.5, ou seja, que não passou o réveillon a ler Proust, mas sim a virar uns coquetails e espumosos próprios da época. Claro que na Páscoa só seria permitido folgar a quem recebesse o compasso em casa, podendo mesmo limitar-se esse direito aos que entregassem ao senhor prior um envelope com uma quantia superior a um valor pré-determinado.
Mutatis mutandis, os calaceiros não folgariam em Maio - podendo alargar-se o castigo aos desempregados e precários -, os monárquicos teriam trabalhinho certo em Outubro, e no Natal apenas as virgens beneficiariam de merecido descanso.
De tudo isto, poderia resultar um único aspecto positivo, o de ser proibido a canalhas como LFM comemorar o 25 de Abril!
Porque já o Sérgio nos avisava:
Se eu mandasse neles
os teus trabalhadores
seriam uns amores
greves era só
das seis e meia às sete
em frente a um cassetete
primeiro de Maio
só de quinze em quinze anos
feriado em Abril
só no dia dos enganos
e reivindicações
quanto baste ma non troppo
anda, bebe mais um copo
arranja-me um emprego