"Porque eu desejo impossívelmente o possível" e, acrescento eu, o impossivel e porque nesta ânsia acabam por faltar palavras ou dar-se o caso de elas não me contentarem, ou ainda estas serem como facas que ferem onde não deviam e não calam quando deviam.
Ah se as palavras viessem à boca e à mente quando delas precisamos, e se organizassem mágicamente para dizerem o que nós nem pensamos e tornassem presente o indizível.
E se esta ânsia de tudo ser e parecer que nada se é e este querer sempre um pouco mais de asa que nos leva pouco mais longe que nada.
Ah! quando nos faltam as palavras e através das poucas que sabemos não nos conseguimos exprimir.
Quem dera ser Deus! não para tudo ter de mão beijada mas para me aquietar esta ânsia...
As palavras
São as palavras que eu digo
Meu abismo e meu abrigo
Partilha de pão e espanto
Lucidez que desatina
Chão sagrado onde germina
A semente do meu canto
São as palavras que eu digo
Meu abismo e meu abrigo
A semente do meu canto
Palavras a que eu entrego
Prazer e desassossego
Tormento e consolação
A quem pergunto e respondo
Quando me exponho e me escondo
Entre a crença e a razão
A quem pergunto e respondo
Quando me exponho e me escondo
Entre a crença e a razão
Palavras que reinvento
Meu desafio e sustento
Pedras de luz e de lodo
Companheiras de caminho
Maneiras de estar eu sozinho
Abraçando o mundo todo
Companheiras de caminho
Maneiras de estar sozinho
Abraçando o moundo todo
Palavras que só mereço
Se em troca do que lhes peço
Der tudo o que posso dar
Se um dia as não merecer
Se um dia as não merecesse
Que as não consiga dizer
Que eu nunca mais as dissesse
E que eu nunca deixe de cantar
E deixasse de cantar
Um dia se as não merecesse
Que as não consiga dizer
Que eu deixe de cantar
Um dia se as não merecer
Se um dia as não merecer
Que as não consiga dizer
E que eu deixe de cantar
Manuela de Freitas


0 comentários:
Enviar um comentário